Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

25
Jan 17

 

Eis, finalmente, o tão desejado final do renovado Um Auto de Gil Vicente, a partir da escrita de Almeida Garrett, submetida às variações propostas pelos alunos de Literatura Portuguesa do 11.º VC, cujos nomes a seguir se recordam: Beatriz Neves; Bebiana Leal; Hugo Ribeiro; Juliana Bento; Juliana Araújo; Maria Cunha; Susana Silva; Tânia Pereira; e Vera Coelho. Continuação de boas leituras.

 

Cena XX (Bernardim Ribeiro e D. Beatriz)

(Chegou o grande dia do casamento real. A noiva entra, a cerimónia inicia-se e o noivo mantém-se de costas para o público, para que não o vejam. A infanta chega ao altar e, com grande espanto, depara com o noivo; os dois casam-se. Saem os convidados; D. Beatriz e Bernardim ficam sozinhos na igreja.)

Beatriz – Bernardim! Que loucura! Como estais aqui? Tínheis morrido! Meu Deus, mas que sonho é este?

Bernardim – Minha amada Beatriz, precisamos de fugir! Não tarda, o povo descobrirá que eu não sou o Duque, prender-me-ão ou até matar-me-ão! Temos de fugir agora!

Beatriz – Para onde, Bernardim? E o reino? Para onde vamos, e como havemos de ir?

Bernardim – O reino fica com Chatel, um secretário empenhado, sempre leal ao seu Duque, fez muito por nós. Ele já está a par da situação, o reino fica bem entregue. Vamos! Chatel tem um galeão à nossa espera. Vamos fugir!

(Os dois fogem da igreja sem que ninguém dê pela sua falta.)

 

Cena XXI (Parvo, Pompeu, Parva e Pompeia)

(Na prisão do reino, continuam o Parvo e Pompeu, a cumprirem as suas penas. No entanto, tinham criado algumas ligações amorosas com umas moças do reino.)

Pompeia – Ai, Parva… Aquele Pompeu… É cá um homem… Ai que cousa tão formosa!

Parva – Eu cá prefiro o Parvo… Aquele macho dá-me a volta à cabeça… Ai Jesus!

Pompeia – Não digas essas cousas desavergonhadas, mulher… Olha que parece mal…

Parva – Ai, se eu pudesse fugir daqui com aquele pedaço de carne de qualidade rara... Era  a fêmea mais feliz deste mundo...

(Olha para o guarda e vê que este está a dormir.)

Parva – Pompeia… E se eu…

Pompeia – Se tu roubasses a chave e fugíssemos os quatro?

Parva – Ai, comadre! Vamos embora desta vida!

(Atirando as vassouras ao chão, soltam os amados e fogem.)

Parvo – No fim desta cousa toda, os parvos é que têm sorte!

Pompeu – Os parvos é que têm sorte!

(E assim se encerra Um Auto de Gil Vicente.)

publicado por escoladeescritores às 09:57

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