Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

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Dez 16

 

Prosseguindo no acto II, apresentamos hoje as cenas VII, VIII, IX e X da renovada peça de Almeida Garrett (revista, na realidade, por alunos de Literatura Portuguesa do 11.º VC).

 

Cena VII (D. Manuel e D. Beatriz)

Manuel – Então, minha filha?

Beatriz – Meu pai! Estou despedaçada! Sabeis que não é do meu agrado este casamento.

Manuel – Mas, filha... Minha estimada filha! Sabeis que é necessária esta tua união com o Duque de Sabóia! Ele é um bom partido. É o teu fado, Beatriz! (beijando a testa de sua filha) Futuramente serás Duquesa de Sabóia, a mais bela de todas!

(D. Manuel retira-se.)

 

Cena VIII (D. Beatriz e Criada)

Beatriz – Perco-me de amores por Bernardim Ribeiro, não consigo evitar! Amanhã partirei para Sabóia para casar com quem não amo! Ai! Bernardim, Bernardim! Eterno menino das saudades! Ficarás sempre no meu coração… (deitando-se na cama) Ai, meu pobre coração, como sofre!

(Apressadamente, entra no quarto uma criada.)

Criada – Senhora, está atrasada para o teatro, El-Rei, mandou chamá-la. A entrada de vossa alteza será anunciada não tarda…

(Levantando-se da cama, Beatriz sai do quarto.)

 

Cena IX (D. Manuel, D. Beatriz, Criados, Mordomo, Parvo e Pompeu)

Criados (em coro, tocando as cornetas) – Daremos entrada à Infanta D. Beatriz, filha de D Manuel, futura Duquesa de Sabóia…

Mordomo (interrompendo e corrigindo os criados) – Dona Beatriz Filomena Isaura Ferreira Gonçalves De Castro e Vasconcelos, futura duquesa de Sabóia!

 

Cena X (Parvo, Pompeu, Gil Vicente)

(Aparte, entre os convidados, Parvo e Pompeu comentam o que está a decorrer.)

Parvo - Que cousa fermosa ali vai! Será esta a última vez que irei ver Beatriz? Vai-se ela casar com aquele duquezinho de Saboa… Sabeia, (diz com uma expressão facial muito confusa) lá daquela terra!

Pompeu (com ar de troça) - Sabóia!

Parvo (tentando disfarçar o seu erro) - Eu sabia, eu sabia seu desgraçado.

(Aparte, antes de entrar definitivamente no palco, organiza o seu teatro.)

Gil Vicente - Cada um em seu lugar. Acolá está El-Rei, a rainha, os infantes – os embaixadores – ali a corte. (apontando) – tocam os charaméis. – Silêncio geral. Vamos. – Porte, dignidade, um ar majestoso e grande.

(dirigindo-se para o palco)

Cortes de Júpiter é o título da nossa comédia. Deuses e Deusas: não há doutra gente aqui.

Parvo (aparte) – Ouvistes? Somos deuses!

publicado por escoladeescritores às 14:51

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