Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

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Nov 16

 

A Catarina Meireles, do 12.º VB, mostra-nos, no texto que hoje apresentamos, como a confiança em si mesmo pode ser uma conquista obtida a partir da verdade, deixando bem clara a importância deste valor. Aproveitemos todos a leitura.

 

Apesar de evitarem muitos desentendimentos e desperdício de tempo, as ”mentirinhas” não são a melhor opção aquando de um diálogo com outrem. O tempo de reflexão antes de dizermos algo não pode existir. É pela verdade que, decididamente, temos de optar, sem ceder a qualquer tentação, concentrando-nos na verdadeira importância de dizer sempre a verdade.

Em primeiro lugar, a não ser que sejamos atores e estejamos a representar um papel numa peça de teatro ou telenovela, o propósito de qualquer diálogo é a partilha de informação verdadeira. Caso contrário, qual seria a necessidade desta capacidade humana tão evoluída? Para mentirmos uns aos outros, a evolução da fala poderia ter estagnado na pré-história, poupando mais de 300 mil anos, nos quais se desenvolveram cerca de 6000 línguas. Felizmente, a verdade ultrapassa a conveniência de qualquer mentira e hoje todos somos beneficiados pela sua partilha. Por exemplo, a difusão e a partilha de informação, não necessariamente verdadeira, mas cientificamente verdadeira, entre a comunidade científica permite o avanço do conhecimento e desenvolvimento tecnológico, oferecendo-nos a cada dia uma qualidade de vida melhor.

Em segundo lugar, por mais despercebida e inofensiva que nos pareça a nossa “mentirinha”, estaremos a quebrar a confiança de alguém se a aplicarmos, e nem o facto de nos sentirmos de consciência leve invalida essa situação. Esse alguém não necessita de ser um amigo, familiar ou conhecido. Devemos poder confiar e receber a confiança de qualquer um, sem pensarmos na possibilidade de não sermos ou não serem verdadeiros connosco. A confiança é um valor ético de extrema importância e a base de qualquer relação humana, mas mais importante ainda é isto: pode ser facilmente quebrada. Um bom exemplo será entre pais e filhos, onde é muito comum a quebra desta confiança. Quantas vezes não fomos apanhados a mentir, afirmando que não tínhamos trabalhos da escola, ou que estávamos doentes, apenas para não irmos à escola ou ajudarmos em casa? Estas mentiras parecem-nos insignificantes e ingénuas, mas, com a desconfiança, a proteção parental aumenta mais ainda, traduzindo-se na falta da liberdade tão desejada pelos adolescentes. No entanto, esta liberdade não poderá ser vista como um benefício de dizer a verdade, mas como uma consequência de uma forte relação parental baseada no amor, na verdade e na confiança.

Desta forma, podemos concluir que a importância de dizer sempre a verdade supera qualquer benefício rápido e instantâneo da mentira. A curto e a longo prazo, esta também nos trará os seus benefícios, mas, em diálogo, devemos optar por esta sem qualquer visão interesseira. Ainda que nem todas as verdades sejam agradáveis de se ouvir, um mundo mais verdadeiro seria um mundo melhor. Cabe a cada um de nós mudar por si, pela confiança nos outros e, principalmente, pela confiança em si mesmo.

 

Catarina Meireles

publicado por escoladeescritores às 12:00

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