Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

02
Nov 16

 

De acordo com o que anunciámos na semana passada, eis o primeiro texto desta nova série, dedicada à verdade. O autor deste texto é o Pedro Seabra, do 12.º VB, cujas considerações versam sobre a importância da verdade na arte.

 

A vida real raras vezes é interessante e variada, portanto, a maioria procura no entretenimento e na arte novas sensações e experiências. Buscam, de certo modo, enriquecer as suas vidas vulgares e fugir à rotina. Por essa razão, a verdade é irrelevante na arte.

Em primeiro lugar, o que atribui à arte o caráter de superioridade é efetivamente o distanciamento do real e do verdadeiro, sendo precisamente esse afastamento do familiar que torna atraentes e apelativas as formas de entretenimento, e extraordinária e sublime a arte. Assim sendo, a arte apenas pode ser expressa através da criatividade e do génio do seu autor, e não pelas simples vivências e sensações banais por ele experienciadas, como por muitos outros. Temos como exemplo a obra poética de Fernando Pessoa, a ficção na literatura e no cinema, bem como o abstracionismo e a música contemporânea.

Em segundo lugar, a arte possui os seus próprios critérios de valor. Com efeito, a arte não é inferior pela falta de sinceridade ou pelo baixo conteúdo de realismo, muito pelo contrário: apenas fora do real e do banal pode algo transcender e converter-se em arte. Deste modo, a qualidade e o valor da arte devem ser analisados e medidos pelo que faz dela extraordinária. Tome-se como exemplo a poesia; esta deve ser maioritariamente julgada pelas suas caraterísticas únicas: a métrica, o ritmo, a escolha adequada de palavras, a elegância e a fluidez dos versos. O significado atribuído ao poema, isto é, o seu conteúdo temático, é secundário, visto que através da prosa poderá ser exposto o mesmo.

Em suma, a verdade é de pouca importância na arte, pois esta é caraterizada pelo distanciamento do real e do verdadeiro – por este motivo, torna-se superior, ou seja, transcende. Visto isto, a arte, fruto dum exercício de criatividade, deve ser julgada pelos seus próprios critérios de valor.

 

Pedro Seabra

 

[Em cima: exposição de um quadro de Mark Rothko (1903-1970).]

publicado por escoladeescritores às 13:02

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