Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

08
Fev 17

 

Na sequência da entrada anterior, damos hoje a conhecer o texto da Rita Leal, do 11.º VA, sobre o mais célebre romance de Camilo Castelo Branco (disponível numa livraria ou numa biblioteca perto de si).

 

O que é o Amor?

É provavelmente a palavra mais difícil que existe, porque é aquela que toda a gente sabe o que quer dizer, mas todos temos dificuldade em explicar.

Isto é muito estranho e misterioso, todos gostamos de alguém, mesmo que raramente usemos a palavra «amo» ou digamos «amo-te» (são palavras difíceis de dizer, sentimos vergonha, preferimos às vezes até não dizer, fingir que não gostamos nada dele ou dela porque dizer «amor» soa, assim, ridículo, e preferimos dizer «gosto muito dele» ou «dela»). O mistério é este, então: sabemos todos o que é o amor, porque todos amamos alguém, mas é muito difícil dizer ou explicar o que significa amar, é muito difícil falar sobre isso e acertar. Podemos dizer, por exemplo: «eu amo-te porque quando te vejo fico muito contente» ou «eu amo-te porque tenho muitas saudades tuas», mas sentimos que dizer isso não chega, que é muito mais que isso, que não cabe em nenhuma palavra.

Ora, todo o enredo da obra se baseia no amor e nos seus diversos tipos. Pode-se salientar três tipos de amor: o amor entre amigos, que se consideram família, como é o amor que Simão sente por Mariana; o amor platónico, um amor impossível, como é o amor que Mariana sente por Simão; e o amor correspondido, vivido por Teresa e Simão.

Apesar de o amor poder assumir várias vertentes, como as referidas, para este tudo é possível.

Assistimos, na obra, a grandes provas de amor, tanto de Simão, como Mariana e de Teresa.

Mariana, filha do ferrador João da Cruz, assume-se bastante madura e ciente da sua situação quanto a Simão Botelho, isto é, sabe que um amor entre ambos seria impossível, já que ela se encontra numa classe social inferior à dele, embora esse facto não impeça a amizade entre os dois e todos os sacrifícios que esta faz pelo seu apaixonado. Mariana permanece sempre junto ao filho do corregedor, mesmo que este lhe peça para não o fazer. Na minha opinião, o maior ato de amor desta obra acontece quando esta ajuda Teresa e Simão a comunicarem, levando as cartas de Simão a Teresa e vice-versa. Morre de uma forma heróica ao cumprir o último desejo do seu amado, deitar as correspondências entre ele e Teresa ao mar. Suicida-se, agarrando-se ao corpo do seu amado na hora em que este é atirado ao mar. 

Teresa, a filha de Tadeu de Albuquerque, assume-se como uma rapariga apaixonada, disposta a tudo pelo seu amor, até ficar encerrada num convento ou jurar não amar nenhum outro homem, a não ser Simão. Prefere a morte a não o poder ver mais ou a não o amar. Morre de uma maneira trágica ao saber da condenação de Simão ao degredo, a dez anos na Índia. Simão observa a sua morte, dizendo o narrador que «entreviu Simão um movimento impetuoso de alguns braços e o desaparecimento de Teresa».

Simão Botelho, o grande herói romântico da obra, filho de Domingos Botelho e D. Rita Preciosa, demonstra ao longo da mesma uma enorme nobreza de espírito e de coragem sem igual. Toda a história se desenrola em torno dele e dos seus atos! Este vive, desde os seus 15 anos, um intenso amor por Teresa que o leva a cometer diversas loucuras, crimes como o homicídio. Este nobre homem, ajudado por Mariana e João da Cruz, faz de tudo para se encontrar com Teresa e poder ter uma vida com ela. É condenado à forca e, posteriormente, ao degredo, por ter assassinado com um tiro na cabeça Baltasar Coutinho, sobrinho de Tadeu de Albuquerque, devido aos ciúmes que sentia por este pretender casar com a sua amada. Nutre ainda um grande amor por Mariana, a sua «irmã do coração», o seu «Anjo do Céu», embora não seja o amor que Mariana sente por este. Mantém uma postura constante até ao fim dos seus dias, acabando por morrer de doença, devido à tristeza da morte da sua amada. Este é, na minha opinião, o melhor exemplo do que um herói romântico pode e deve ser.

Concluo aconselhando esta obra a todo o público interessado, ou não, para que todos possam conhecer a história apaixonante de Simão e Teresa, que é verídica.

 

Rita Leal

publicado por escoladeescritores às 11:06

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