Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

26
Fev 09

 

Começamos hoje a publicar duas autobiografias apócrifas do Padre António Vieira, efectivamente redigidas por alunas da nossa escola. Dada a relativa extensão dos textos, estes serão divididos em duas ou mais entradas. Segue­‑se a primeira parte do discurso composto por Paula Ribeiro, do 11.º E.

 

O meu nome é… António Vieira (primeira parte)

 

Nasci a 6 de Dezembro de 1608, em Lisboa. O meu pai chamava-se Cristóvão Ravasco e a minha mãe Maria de Azevedo, gente modesta.

Em 1614/1615, não sei ao certo, viajei com os meus pais para a Baía, na época capital do Brasil, onde me recordo de haver vizinhos portugueses, índios e escravos africanos. No mesmo ano, entrei no colégio dos Jesuítas.

Ingressei no noviciado da Companhia de Jesus, em 1623. Recordo-me muitíssimo bem dos dois anos de noviciado, dois anos de dura provação para os alunos. As relações existentes com o exterior foram praticamente abolidas. Um período de extraordinária tensão moral para todos, especialmente para mim, que diziam que era mimoso. Todos os dias, a todo o momento, estávamos ocupados, não havendo tempo para recordação dos pais e amigos. Havia exercícios de memória, com textos decorados, de declamação, que na língua da Companhia se denominavam repetições de tons. Recebíamos instruções de tudo e mais alguma coisa, sobre o andar, o riso, a voz, a posição das mãos, a direcção do olhar, o modo de compor o vestido.

Em 1626 ou 1627, mais uma vez não me recordo ao certo, deixei a terra onde fiz os meus primeiros estudos, para ir reger a cadeira de retórica no colégio de Olinda. Entretanto, declarei o intento de não prosseguir os estudos e entrar logo no trabalho das missões.

No ano de 1633 preguei pela primeira vez, na cidade de Baía.

Em 1635 fui ordenado sacerdote. Desde o início, os meus sermões apresentaram uma feição marcadamente política, alertando os ouvintes para as grandes questões da actualidade. Cinco anos depois, em 1640, preguei na Baía o célebre «Sermão contra as armas da Holanda». No ano seguinte, embarquei para Portugal, onde acabara de ser aclamado D. João IV, e a minha fama de orador sagrado espalha-se rapidamente, sobretudo na corte.

Em 1641-1652, ganhei a confiança do rei D. João IV, que me incumbe de importantes missões diplomáticas em Paris, Haia e Roma.

Durante este período, defendi a causa dos cristãos-novos, numa polémica havida entre a Inquisição e a Companhia de Jesus, e dei, ainda durante este período, início à escrita da «História do Futuro», obra de carácter profético.

Parti para o Brasil, para S. Luís de Maranhão, na companhia de outros missionários. Distingui-me pela defesa dos índios. Preguei, nesta altura, alguns dos meus melhores sermões. Estes três acontecimentos ocorreram no ano de 1652. Dois anos depois, mais precisamente a 13 de Junho, preguei o notável «Sermão de Santo António aos peixes», em S. Luís de Maranhão. Neste sermão, ataquei e critiquei os colonos que escravizavam os índios. Parti, ainda em 1654, clandestinamente, para Portugal, visto que fugi à perseguição dos colonos.

 

[Continua]

 

publicado por escoladeescritores às 12:34

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