Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

30
Abr 12

 

Concluímos hoje a série de diálogos alternativos de Teresa e Mariana, personagens do romance Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. A Cristina Barroso, do 11.º D, concebeu da forma que se segue a única conversa entre as duas rivais pelo amor de Simão Botelho. Boa leitura.

 

A voz de Mariana tremia, quando D. Teresa lhe perguntou quem era.

– Sou Mariana, filha do João da Cruz, o ferreiro – respondeu Mariana, tentando não mostrar o seu medo.

– Não conheço nenhum homem portador desse nome…

– Naturalmente, minha senhora.

– Mas o que a trouxe aqui? – perguntou Teresa.

– As pernas, minha senhora.

– Não, não é isso! Qual é a razão da sua vinda?

– Ah, já percebi… Vossa Excelência quer saber o assunto que me trouxe até aqui, não é? Pois então eu digo, a razão da minha vinda chama-se Simão Botelho, é-lhe familiar? – inquiriu Mariana.

– Oh, o meu Simão, o meu querido e amado!

O entusiamo de Teresa era impossível de conter, via-se pelos seus olhos, quase saltando de alegria. O que o amor provoca nas pessoas!

Mariana, ao vê-la, mudou de expressão, de alegre passou para triste, pois imaginou se alguma vez Simão iria ser tão apaixonado por ela, como Teresa era por ele. Com tanto entusiasmo, Teresa nem sequer reparou nela, só estava interessada em saber novas de Simão.

– O que me quer ele? - perguntou ela, vibrante – Aconteceu alguma coisa?

- Não, minha senhora. Apenas lhe trago uma carta de Simão – disse Mariana, já com um ar melancólico e retirando a carta da algibeira.

Teresa brilhava de felicidade e, por isso, leu, releu e voltou a ler a carta como se o mundo fosse acabar naquele momento e aquela fosse a última vez que iria ter novas de Simão. Depois disse:

– Não sei a quem pertence, nem qual a sua ligação a Simão, mas preciso desesperadamente que lhe entregue um recado. Espere um momento…

Enquanto Teresa foi buscar um papel e uma pena para escrever o recado, Mariana bradava aos céus para que a ajudassem naquele momento, pois estar a ajudar a sua rival era de mais para ela. Logo depois, Teresa voltou, já com o recado escrito, e entregou-lho dizendo:

– Não o mostre a mais ninguém, por favor! – replicou-lhe Teresa – Agora vá!

Mariana foi-se, mas, como diz o povo, «a curiosidade matou o gato», e, neste caso, matou Mariana. Depois da conversa, Mariana não resistiu e leu o recado. Ao lê-lo, a sus infelicidade aumentou, e cada palavra de amor, de Teresa para Simão, era um punhal que lhe espetavam no coração. Mariana morria por dentro…

 

[Em cima: Fotograma do filme Amor de Perdição (1978), de Manoel de Oliveira.]

publicado por escoladeescritores às 09:22

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