Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

22
Fev 17

 

Nas próximas entradas, publicaremos imagens com que alguns dos nossos alunos responderam a um desafio acerca da maneira como o acto de ler tem sido perspectivado ao longo dos tempos. Começamos hoje com La liseuse, de Pierre-Auguste Renoir, que terá realizado este óleo sobre tela por volta de 1874.

publicado por escoladeescritores às 11:17

15
Fev 17

 

A nossa proposta de hoje é o texto de José Carlos Pacheco, do 11.º VA, sobre Amor de Perdição, apresentado no âmbito do Concurso Nacional de Leitura. Esperemos que gostem, e, em especial, que se sintam mais motivados para conhecer ou revisitar a obra de Camilo Castelo Branco.

 

Camilo Castelo Branco, nascido a 16 Março de 1825, foi um romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor português. De entre as suas obras, hoje falarei de Amor de Perdição.

Quando Camilo escreveu a novela passional Amor de Perdição, a sua vida pessoal e amorosa estava num momento difícil. O autor tinha começado uma relação com Ana Plácido, que estava casada cm Manuel Pinheiro Alves, e foi acusado judicialmente de cometer o crime de adultério. Quando deu entrada na cadeia da relação do Porto, foi ali que escreveu a novela. Teve, nesse local, conhecimento do livro de registos em que eram anotadas as entradas e saídas dos presos, e um dos registos falava de Simão Botelho, que entrara na prisão com 18 anos, tendo sido enviado para a India a a17 de Março de 1807.

Então, esta obra retrata a família do próprio autor, com Simão Botelho (tio do autor) e Teresa de Albuquerque como personagens principais. Durante a narrativa, apresenta-se a história de amor entre Simão Botelho e Teresa Albuquerque, dois jovens, que veem o seu amor travado pela rivalidade de suas famílias. Neste ponto, podemos até comparar a obra de Camilo Castelo Branco a uma obra de William Shakespeare, Romeu e Julieta, e ao episódio camoniano de Inês de Castro.

Além da ação pessoal e amorosa, que envolve Simão e Teresa, temos a ação familiar e social (note-se a presença de um subtítulo na obra, Memórias de uma família). Esta diz respeito ao conflito entra duas famílias, no princípio do século XIX. Assim, ficamos a conhecer um tempo bem diferente do nosso, em termos sociais e de mentalidade. Apresento como exemplo os casamentos que aconteciam muitas vezes combinados entre famílias da fidalguia, em que uma jovem podia ser impedida de casar com alguém que não tivesse a aprovação da família (Teresa). A entrada no convento era o destino da jovem que não aceitasse a vontade da família.

De toda a obra, a minha parte favorita foi o final, onde as duas personagens principais morrem, num desfecho trágico da narração. Esta parte suscitou-me grande interesse pois fez-me pensar sobre a vida após a morte, visto que as duas personagens morrem acreditando que, depois da morte, se encontrariam no céu e aí seriam felizes. De toda esta parte, gostava de salientar um excerto: «À luz da eternidade parece-me que já te vejo, Simão». Este excerto faz parte da última carta escrita por Teresa a Simão, lida por Simão alguns dias antes da sua morte.

           

José Carlos Pacheco

publicado por escoladeescritores às 11:37

08
Fev 17

 

Na sequência da entrada anterior, damos hoje a conhecer o texto da Rita Leal, do 11.º VA, sobre o mais célebre romance de Camilo Castelo Branco (disponível numa livraria ou numa biblioteca perto de si).

 

O que é o Amor?

É provavelmente a palavra mais difícil que existe, porque é aquela que toda a gente sabe o que quer dizer, mas todos temos dificuldade em explicar.

Isto é muito estranho e misterioso, todos gostamos de alguém, mesmo que raramente usemos a palavra «amo» ou digamos «amo-te» (são palavras difíceis de dizer, sentimos vergonha, preferimos às vezes até não dizer, fingir que não gostamos nada dele ou dela porque dizer «amor» soa, assim, ridículo, e preferimos dizer «gosto muito dele» ou «dela»). O mistério é este, então: sabemos todos o que é o amor, porque todos amamos alguém, mas é muito difícil dizer ou explicar o que significa amar, é muito difícil falar sobre isso e acertar. Podemos dizer, por exemplo: «eu amo-te porque quando te vejo fico muito contente» ou «eu amo-te porque tenho muitas saudades tuas», mas sentimos que dizer isso não chega, que é muito mais que isso, que não cabe em nenhuma palavra.

Ora, todo o enredo da obra se baseia no amor e nos seus diversos tipos. Pode-se salientar três tipos de amor: o amor entre amigos, que se consideram família, como é o amor que Simão sente por Mariana; o amor platónico, um amor impossível, como é o amor que Mariana sente por Simão; e o amor correspondido, vivido por Teresa e Simão.

Apesar de o amor poder assumir várias vertentes, como as referidas, para este tudo é possível.

Assistimos, na obra, a grandes provas de amor, tanto de Simão, como Mariana e de Teresa.

Mariana, filha do ferrador João da Cruz, assume-se bastante madura e ciente da sua situação quanto a Simão Botelho, isto é, sabe que um amor entre ambos seria impossível, já que ela se encontra numa classe social inferior à dele, embora esse facto não impeça a amizade entre os dois e todos os sacrifícios que esta faz pelo seu apaixonado. Mariana permanece sempre junto ao filho do corregedor, mesmo que este lhe peça para não o fazer. Na minha opinião, o maior ato de amor desta obra acontece quando esta ajuda Teresa e Simão a comunicarem, levando as cartas de Simão a Teresa e vice-versa. Morre de uma forma heróica ao cumprir o último desejo do seu amado, deitar as correspondências entre ele e Teresa ao mar. Suicida-se, agarrando-se ao corpo do seu amado na hora em que este é atirado ao mar. 

Teresa, a filha de Tadeu de Albuquerque, assume-se como uma rapariga apaixonada, disposta a tudo pelo seu amor, até ficar encerrada num convento ou jurar não amar nenhum outro homem, a não ser Simão. Prefere a morte a não o poder ver mais ou a não o amar. Morre de uma maneira trágica ao saber da condenação de Simão ao degredo, a dez anos na Índia. Simão observa a sua morte, dizendo o narrador que «entreviu Simão um movimento impetuoso de alguns braços e o desaparecimento de Teresa».

Simão Botelho, o grande herói romântico da obra, filho de Domingos Botelho e D. Rita Preciosa, demonstra ao longo da mesma uma enorme nobreza de espírito e de coragem sem igual. Toda a história se desenrola em torno dele e dos seus atos! Este vive, desde os seus 15 anos, um intenso amor por Teresa que o leva a cometer diversas loucuras, crimes como o homicídio. Este nobre homem, ajudado por Mariana e João da Cruz, faz de tudo para se encontrar com Teresa e poder ter uma vida com ela. É condenado à forca e, posteriormente, ao degredo, por ter assassinado com um tiro na cabeça Baltasar Coutinho, sobrinho de Tadeu de Albuquerque, devido aos ciúmes que sentia por este pretender casar com a sua amada. Nutre ainda um grande amor por Mariana, a sua «irmã do coração», o seu «Anjo do Céu», embora não seja o amor que Mariana sente por este. Mantém uma postura constante até ao fim dos seus dias, acabando por morrer de doença, devido à tristeza da morte da sua amada. Este é, na minha opinião, o melhor exemplo do que um herói romântico pode e deve ser.

Concluo aconselhando esta obra a todo o público interessado, ou não, para que todos possam conhecer a história apaixonante de Simão e Teresa, que é verídica.

 

Rita Leal

publicado por escoladeescritores às 11:06

01
Fev 17

 

Publicaremos, nas próximas entradas, os textos de alunos que participaram no Concurso Nacional de Leitura, com apresentações relativas ao romance Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. Começamos hoje com o texto da Sara Neto, do 11.º VA.

 

Estar apaixonado mata. E não estar, também. E, deste modo, nada mais está representado senão a contrariedade do Amor.

 O Amor está escondido na oposição de todos os nossos sentimentos, é um tudo ou nada, é o auge da felicidade e a mais profunda tristeza, é a tranquilidade e, simultaneamente, a confusão, é aquilo que nos mantém vivos, mas também o que nos leva à morte.

 E, sem dúvida alguma, Amor de Perdição transborda deste sentimento tão sublime.

Em 1861, Camilo Castelo Branco, também ele alvo de um amor impossível, inspirando-se na sua própria vida, escreveu uma das mais eternas histórias de amor da literatura portuguesa.

Simão Botelho e Teresa de Albuquerque são os protagonistas inocentes do drama de amar, amar contra a vontade dos pais, visto que as suas famílias eram inimigas e, assim sendo, metaforicamente falando, construíram uma teia que tragicamente os aprisionou. Contudo, ainda que conscientes da impossibilidade da sua relação, as duas personagens jamais desistem do sentimento que os une.

Teresa, realçando uma forte personalidade, enfrenta as ameaças de seu pai de forma inflexível, preferindo o enclausuramento num convento e até a perda da vida, a ceder a um casamento forçado com Baltasar, seu primo.

Simão, por sua vez, revela uma evolução psicológica, ou seja, há uma mudança do seu comportamento ao longo da sua vida. No início da sua adolescência, possui um caráter rebelde, corajoso, inconformista, um «génio sanguinário»; mas, após a visão de Teresa, transforma-se num jovem mais calmo e assertivo. À semelhança da amada, os seus valores não se enquadram na sociedade da época, uma sociedade podre e anti-humana. Perdidamente apaixonado pela dama, comete um ato de loucura, isto é, o assassínio de Baltasar. Porém, evidenciando a sua honra e a sua consciência, Simão acata as consequências do seu ato e nega fugir, sendo, assim, condenado à tragédia, ou seja, à prisão e à posterior morte. Deste modo, tal como Camilo refere, Simão «amou, perdeu-se e morreu amando».

Ao longo da história, existe, ainda, Mariana, uma das mais importantes personagens, pois nutre um amor genuíno por Simão

A simplicidade e o altruísmo da jovem Mariana são admiráveis perante os olhos de Simão, chegando mesmo a equacionar um possível relacionamento. No entanto, várias eram as contrariedades a esta hipótese: o seu coração estava, inevitavelmente, destinado a Teresa e, ainda, as regras morais da época, as quais jamais permitiriam a concretização deste amor, devido à diferença de classes sociais.

Dotada de uma forte nobreza de sentimentos, Mariana limita-se a amar silenciosamente o jovem. Possui uma enorme generosidade delicada, revelada quando contribui para a comunicação entre Teresa e Simão, através de cartas. A força do seu amor era tal que, acompanhando Simão no navio que se dirigia para o degredo, na Índia (consequência do seu ato), após a morte do mesmo, a bela rapariga rendeu-se igualmente à morte, atirando-se ao mar, para junto do corpo de Simão.

Deste modo, o «fogo» eterno que, nas palavras de Luís de Camões, «arde sem se ver», foi o agente causador da perda de três vidas, cujo pecado foi amar. Amar até à morte, amar até à vida, vida que os reuniria no além, imortalizando-os como Romeu e Julieta, Pedro e Inês.

 

Sara Neto

 

[Em cima: Fotograma do filme Amor de Perdição (1979), de Manoel de Oliveira.]

publicado por escoladeescritores às 10:24

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