Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

14
Dez 16

 

Prosseguindo no acto II, apresentamos hoje as cenas VII, VIII, IX e X da renovada peça de Almeida Garrett (revista, na realidade, por alunos de Literatura Portuguesa do 11.º VC).

 

Cena VII (D. Manuel e D. Beatriz)

Manuel – Então, minha filha?

Beatriz – Meu pai! Estou despedaçada! Sabeis que não é do meu agrado este casamento.

Manuel – Mas, filha... Minha estimada filha! Sabeis que é necessária esta tua união com o Duque de Sabóia! Ele é um bom partido. É o teu fado, Beatriz! (beijando a testa de sua filha) Futuramente serás Duquesa de Sabóia, a mais bela de todas!

(D. Manuel retira-se.)

 

Cena VIII (D. Beatriz e Criada)

Beatriz – Perco-me de amores por Bernardim Ribeiro, não consigo evitar! Amanhã partirei para Sabóia para casar com quem não amo! Ai! Bernardim, Bernardim! Eterno menino das saudades! Ficarás sempre no meu coração… (deitando-se na cama) Ai, meu pobre coração, como sofre!

(Apressadamente, entra no quarto uma criada.)

Criada – Senhora, está atrasada para o teatro, El-Rei, mandou chamá-la. A entrada de vossa alteza será anunciada não tarda…

(Levantando-se da cama, Beatriz sai do quarto.)

 

Cena IX (D. Manuel, D. Beatriz, Criados, Mordomo, Parvo e Pompeu)

Criados (em coro, tocando as cornetas) – Daremos entrada à Infanta D. Beatriz, filha de D Manuel, futura Duquesa de Sabóia…

Mordomo (interrompendo e corrigindo os criados) – Dona Beatriz Filomena Isaura Ferreira Gonçalves De Castro e Vasconcelos, futura duquesa de Sabóia!

 

Cena X (Parvo, Pompeu, Gil Vicente)

(Aparte, entre os convidados, Parvo e Pompeu comentam o que está a decorrer.)

Parvo - Que cousa fermosa ali vai! Será esta a última vez que irei ver Beatriz? Vai-se ela casar com aquele duquezinho de Saboa… Sabeia, (diz com uma expressão facial muito confusa) lá daquela terra!

Pompeu (com ar de troça) - Sabóia!

Parvo (tentando disfarçar o seu erro) - Eu sabia, eu sabia seu desgraçado.

(Aparte, antes de entrar definitivamente no palco, organiza o seu teatro.)

Gil Vicente - Cada um em seu lugar. Acolá está El-Rei, a rainha, os infantes – os embaixadores – ali a corte. (apontando) – tocam os charaméis. – Silêncio geral. Vamos. – Porte, dignidade, um ar majestoso e grande.

(dirigindo-se para o palco)

Cortes de Júpiter é o título da nossa comédia. Deuses e Deusas: não há doutra gente aqui.

Parvo (aparte) – Ouvistes? Somos deuses!

publicado por escoladeescritores às 14:51

07
Dez 16

 

Conforme explicámos na última entrada, damos hoje sequência à versão renovada de Um Auto de Gil Vicente, da responsabilidade dos alunos de Literatura Portuguesa do 11.º VC. Eis as cenas V e VI do acto II.

 

«Aqui têm o que é o Auto de Gil Vicente; e nunca pretendeu ser mais».

 

ATO 2

Cena V (Paula, Pêro, Gil Vicente e Bernardim Ribeiro)

Bernardim – Ó da casa!

Gil Vicente – Quem vem lá?

Bernardim – Bernardim Ribeiro, mestre Gil!

Gil Vicente – Que te traz cá, menino das «Saudades»?

Bernardim – Ouvi dizer que ficastes sem a moura, posso eu tomar essa posição?

Gil Vicente – Que interesse tendes vós em fazê-lo?

Bernardim – Digo-vos, Mestre, que tenho muito apreço por vossos autos, e seria do meu mais sincero agrado poder ajudar-vos.

(Pêro Sáfio e Paula Vicente ensaiam um aparte, enquanto Paula tenta aperceber-se da situação.)

Gil Vicente – Meu Deus! Já tarda, já tarda! Serás tu capaz de representar tal personagem?

Bernardim – Garanto que não vos hei-de desiludir!

(Paula apercebe-se da situação e fica pensativa.)

 

Cena VI (Parvo e Pompeu Pompeia)

(Em casa do Parvo)

Parvo (suspirando de amores) – Que cousa formosa aquela Beatriz!

Pompeu (tentando repetir as palavras do seu chefe) – Que coxa jeitosa tem aquela Beatriz!

Parvo – Pompeia! Pompeu! Pompeia-Pompeu! Pomp… Olha, tu! Seu desgraçado dos infernos!

Pompeu – Dos infernos desgraçado tu és!

(Troca de açoites.)

Parvo – Esta noite temos afazeres!

Pompeu (exaltado e curioso) – Afazeres… Que «fazeres»?

Parvo – Irmos ir a la corte de El-Rei D. Manuel p’ra mirar el auto do Mestre Gil! Será a minha última chance de conquistar o coração da minha preciosa Beatriz?

Pompeu – Já tentastes muitas vezes e nada conseguistes!

Parvo – Estais vós a duvidar de minha habilidades de cavaleiro andante?

Pompeu – Até o jumento da Jaquina aqui do lado é mais cavaleiro que tu!

Parvo - Pompeia! Pompeu! Pompeia-Pompeu! Pomp… Olha, tu! A ver vamos!

 

[Em cima: Fac-símile da edição de 1559 de História de Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro.]

publicado por escoladeescritores às 11:54

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