Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

30
Nov 16

 

Ao longo das próximas entradas, iremos publicar uma versão renovada de Um Auto de Gil Vicente, texto dramático que Almeida Garrett editou em 1838, com o propósito de ajudar a criar um repertório para o teatro português. A renovação deste texto, que foi feita por alunos do 11.º VC, no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa, mereceu uma breve explicação, que a seguir transcrevemos, da responsabilidade dos novos autores do texto. Na próxima entrada, daremos início à publicação do auto revisitado.

 

INTRODUÇÃO

 

É com muito gosto que a turma de Literatura Portuguesa do 11.º VC apresenta a nova versão da peça de teatro Um Auto de Gil Vicente, cuja autoria primeira é de Almeida Garrett.

Pretendemos então parodiar o auto, dando-lhe uma forma mais moderna e inovadora, própria do nosso século, mas mantendo sempre uma fiel ligação à obra original.

Um Auto de Gil Vicente, como já referido, foi realizado por Almeida Garrett com o intuito de trazer de volta o autêntico teatro português, trazer de volta, afinal, aquilo que realmente nos pertence, já que, como o dramaturgo afirmava, «em Portugal nunca chegou a haver teatro», limitávamo-nos, afinal, a continuar o espírito do século XVIII, copiando o teatro castelhano e italiano… Daí ter escolhido Gil Vicente, por ser um dramaturgo medieval, quando o teatro ainda nos pertencia, era puro e original.

Cabe-nos a nós, alunos, incorporarmo-nos no papel de Almeida Garrett e restaurar este auto da melhor forma possível, adaptando-o a um outro século e, consequentemente, a um outro público.

 

Beatriz Neves

Bebiana Leal

Hugo Ribeiro

Juliana Bento

Juliana Araújo

Maria Cunha

Susana Silva

Tânia Pereira

Vera Coelho

 

[Em cima: Almeida Garrett.]

publicado por escoladeescritores às 12:02

23
Nov 16

 

A Catarina Meireles, do 12.º VB, mostra-nos, no texto que hoje apresentamos, como a confiança em si mesmo pode ser uma conquista obtida a partir da verdade, deixando bem clara a importância deste valor. Aproveitemos todos a leitura.

 

Apesar de evitarem muitos desentendimentos e desperdício de tempo, as ”mentirinhas” não são a melhor opção aquando de um diálogo com outrem. O tempo de reflexão antes de dizermos algo não pode existir. É pela verdade que, decididamente, temos de optar, sem ceder a qualquer tentação, concentrando-nos na verdadeira importância de dizer sempre a verdade.

Em primeiro lugar, a não ser que sejamos atores e estejamos a representar um papel numa peça de teatro ou telenovela, o propósito de qualquer diálogo é a partilha de informação verdadeira. Caso contrário, qual seria a necessidade desta capacidade humana tão evoluída? Para mentirmos uns aos outros, a evolução da fala poderia ter estagnado na pré-história, poupando mais de 300 mil anos, nos quais se desenvolveram cerca de 6000 línguas. Felizmente, a verdade ultrapassa a conveniência de qualquer mentira e hoje todos somos beneficiados pela sua partilha. Por exemplo, a difusão e a partilha de informação, não necessariamente verdadeira, mas cientificamente verdadeira, entre a comunidade científica permite o avanço do conhecimento e desenvolvimento tecnológico, oferecendo-nos a cada dia uma qualidade de vida melhor.

Em segundo lugar, por mais despercebida e inofensiva que nos pareça a nossa “mentirinha”, estaremos a quebrar a confiança de alguém se a aplicarmos, e nem o facto de nos sentirmos de consciência leve invalida essa situação. Esse alguém não necessita de ser um amigo, familiar ou conhecido. Devemos poder confiar e receber a confiança de qualquer um, sem pensarmos na possibilidade de não sermos ou não serem verdadeiros connosco. A confiança é um valor ético de extrema importância e a base de qualquer relação humana, mas mais importante ainda é isto: pode ser facilmente quebrada. Um bom exemplo será entre pais e filhos, onde é muito comum a quebra desta confiança. Quantas vezes não fomos apanhados a mentir, afirmando que não tínhamos trabalhos da escola, ou que estávamos doentes, apenas para não irmos à escola ou ajudarmos em casa? Estas mentiras parecem-nos insignificantes e ingénuas, mas, com a desconfiança, a proteção parental aumenta mais ainda, traduzindo-se na falta da liberdade tão desejada pelos adolescentes. No entanto, esta liberdade não poderá ser vista como um benefício de dizer a verdade, mas como uma consequência de uma forte relação parental baseada no amor, na verdade e na confiança.

Desta forma, podemos concluir que a importância de dizer sempre a verdade supera qualquer benefício rápido e instantâneo da mentira. A curto e a longo prazo, esta também nos trará os seus benefícios, mas, em diálogo, devemos optar por esta sem qualquer visão interesseira. Ainda que nem todas as verdades sejam agradáveis de se ouvir, um mundo mais verdadeiro seria um mundo melhor. Cabe a cada um de nós mudar por si, pela confiança nos outros e, principalmente, pela confiança em si mesmo.

 

Catarina Meireles

publicado por escoladeescritores às 12:00

16
Nov 16

 

No terceiro texto desta sequência, coube a palavra à Matilde Leão, do 12.º VB, que assina uma reflexão sobre os possíveis significados da verdade e, consequentemente, da sua importância.

 

Desde que nascemos que ouvimos falar sobre o conceito de verdade. Verdade pode significar exatidão, realidade, rigor, franqueza e até mesmo sinceridade. Tudo o que nos rodeia possui valor de verdade e, assim sendo, defendo que a verdade é importante.

Em primeiro lugar, posso sustentar a minha opinião afirmando que a verdade é essencial para a justiça. Por exemplo, num julgamento em tribunal, a verdade será o fator determinante para que se faça ou não um julgamento correto. Só sabendo a realidade dos factos é que se pode considerar alguém culpado ou inocente.

Outro argumento que apoia o meu ponto de vista é o de que a verdade é promotora da confiança entre as pessoas. Uma situação que comprova isso é a relação entre as empresas e os seus clientes. Se uma empresa for sempre sincera em relação ao seu trabalho ou ao seu produto, o cliente só a irá escolher se o que lhe for proposto resolver o que deseja e assim não existirão desapontamentos, porque o que foi tratado é cumprido, criando uma relação de confiança entre as diferentes partes.

Posso, por fim, concluir que a verdade é extremamente importante para as relações interpessoais e para as situações do dia-a-dia, pois é esta que nos permite a confiança e a certeza de que tudo é realmente aquilo que diz ser. Por isso, devemos fazer de tudo para que a verdade esteja sempre presente, para construirmos relações fortes e duradouras.

 

Matilde Leão

publicado por escoladeescritores às 14:51

09
Nov 16

 

Prosseguindo com a publicação de textos de reflexão sobre a verdade, damos hoje a palavra ao João Almeida, do 12.º VB, que defende a sua importância para a edificação de um mundo melhor.

 

A questão da importância da verdade existe desde que o próprio conceito surgiu. Desde então, muitos se questionam acerca do papel desta na sociedade, na ciência, nas questões políticas e emocionais. Na minha opinião, a verdade não é apenas importante mas sim essencial à vida, tal como irei argumentar de seguida.

Em primeiro lugar, deve salientar-se que a omissão da verdade pode pôr em risco a saúde do homem, e são várias as situações em que este erro levou a consequências bastante graves. Vejamos, por exemplo, a utilização do chumbo em diversos materiais, como recipientes e gasolina. Durante anos, por questões económicas, achou-se por bem esconder o facto de o chumbo ser extremamente prejudicial à saúde, de modo a garantir que as empresas relacionadas com este componente continuariam a ter lucro, o que levou à morte de crianças e adultos.

Para além disso, está provado que esconder a verdade às crianças prejudica o seu desenvolvimento, pois estas são capazes de detetar comportamentos contraditórios, devido a uma elevada inteligência emocional, e, por isso, conseguem detetar a verdade. Assim, por exemplo, se os pais mentirem acerca da morte de um familiar, esta mentira fará com que a criança deixe de confiar nas pessoas à sua volta e que, com o seu desenvolvimento, se torne numa pessoa com dificuldades de inserção na sociedade.

Em suma, uma sociedade em que a verdade não esteja presente é uma sociedade ilusória. Sem este princípio, toda a interação entre pessoas se desvanece e passa a ser cada um por si, a confiança acaba e, por conseguinte, acaba também a própria democracia, que é garantida pela existência da mesma entre o povo e os seus governantes. Sem verdade, não há civilização.

 

João Almeida

publicado por escoladeescritores às 12:08

02
Nov 16

 

De acordo com o que anunciámos na semana passada, eis o primeiro texto desta nova série, dedicada à verdade. O autor deste texto é o Pedro Seabra, do 12.º VB, cujas considerações versam sobre a importância da verdade na arte.

 

A vida real raras vezes é interessante e variada, portanto, a maioria procura no entretenimento e na arte novas sensações e experiências. Buscam, de certo modo, enriquecer as suas vidas vulgares e fugir à rotina. Por essa razão, a verdade é irrelevante na arte.

Em primeiro lugar, o que atribui à arte o caráter de superioridade é efetivamente o distanciamento do real e do verdadeiro, sendo precisamente esse afastamento do familiar que torna atraentes e apelativas as formas de entretenimento, e extraordinária e sublime a arte. Assim sendo, a arte apenas pode ser expressa através da criatividade e do génio do seu autor, e não pelas simples vivências e sensações banais por ele experienciadas, como por muitos outros. Temos como exemplo a obra poética de Fernando Pessoa, a ficção na literatura e no cinema, bem como o abstracionismo e a música contemporânea.

Em segundo lugar, a arte possui os seus próprios critérios de valor. Com efeito, a arte não é inferior pela falta de sinceridade ou pelo baixo conteúdo de realismo, muito pelo contrário: apenas fora do real e do banal pode algo transcender e converter-se em arte. Deste modo, a qualidade e o valor da arte devem ser analisados e medidos pelo que faz dela extraordinária. Tome-se como exemplo a poesia; esta deve ser maioritariamente julgada pelas suas caraterísticas únicas: a métrica, o ritmo, a escolha adequada de palavras, a elegância e a fluidez dos versos. O significado atribuído ao poema, isto é, o seu conteúdo temático, é secundário, visto que através da prosa poderá ser exposto o mesmo.

Em suma, a verdade é de pouca importância na arte, pois esta é caraterizada pelo distanciamento do real e do verdadeiro – por este motivo, torna-se superior, ou seja, transcende. Visto isto, a arte, fruto dum exercício de criatividade, deve ser julgada pelos seus próprios critérios de valor.

 

Pedro Seabra

 

[Em cima: exposição de um quadro de Mark Rothko (1903-1970).]

publicado por escoladeescritores às 13:02

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