Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

14
Fev 11

 

Como o Egipto tem estado tão presente nas últimas entradas do nosso blogue, à maneira de uma homenagem à luta pela democracia do seu povo, aqui recorremos de novo à cultura do país da Biblioteca de Alexandria, agora para evocar o dia de S. Valentim, com versos retirados de Poemas de Amor do Antigo Egipto, uma edição da Assírio & Alvim, com tradução de Helder Moura Pereira:

 

O teu amor infiltra­-se no meu corpo

Tal como o vinho se infiltra na água quando

O vinho e a água se misturam.

publicado por escoladeescritores às 12:20

11
Fev 11

 

Conclui­‑se hoje a publicação da viagem imaginária que a Maria Inês Leal Lopes, do 7.º B, compôs ao Egipto da época dos Faraós. Boa leitura e boa viagem.

 

Foi então que, à saída do palácio, nos foi apresentado um escriba. Parecia um homem muito instruído, e o meu amigo Nemias disse-me que os escribas eram das poucas pessoas que sabiam ler, escrever e contar, pois tinham estudado longos anos para esse fim. Eles eram muito importantes porque ajudavam o Faraó na governação do país. Ser escriba era das profissões mais nobres de todas.

O escriba disse-nos que andava muito cansado porque tinha muito trabalho, ele estudava textos religiosos e anotava as orações ditas pelos sacerdotes, apontava as decisões do Faraó, que dava a conhecer ao povo, e calculava os impostos que os egípcios tinham que pagar ao rei. Os escribas apontavam tudo: impostos cobrados aos camponeses, blocos de pedra nos estaleiros, reservatórios de água e o número dos soldados no exército. Escreviam em papiro, uma planta que cresce nas margens do rio Nilo e cujas fibras serviam para o fabrico de um certo tipo de papel.

O escriba estava muito contente porque recentemente tinham inventado a escrita simples, que se chamava escrita hierática, uma forma simplificada dos hieróglifos.

Os hieróglifos eram símbolos que podiam designar um objecto, um som ou uma acção. Cada hieroglífico podia ter vários significados.

O Nemias foi-me mostrar e explicar um pouco, no seu tapete voador, como viviam os Egípcios, e eu fiquei a saber coisas muito interessantes: por exemplo, que a maior parte dos egípcios eram camponeses e trabalhavam terras que pertenciam ao Faraó ou aos ricos. O rio Nilo era muito importante ou até essencial porque fornecia água e fertilizava os campos com as cheias. Devido a essas cheias, as casas eram construídas em solos altos, feitas de terra, e não tinham quase mobília nenhuma. O telhado era plano, funcionando como terraço onde, à noite, a família se reunia, e havia diques a ligar as aldeias entre si, que permitiam a circulação de homens e animais. Mas era uma vida de muito sacrifício porque não havia nenhuma máquina, era tudo feito à mão, as cheias muitas vezes produziam desastres, às vezes havia secas, e os camponeses, se não conseguissem reunir a produção devida, eram castigados com o chicote.

Os Egípcios eram um povo que vivia em grandes famílias onde moravam também os avós, tios, primos, etc., e tinham muitos filhos, apesar de muitos morrerem novos.

Fiquei muito triste com uma notícia: os recém-nascidos deficientes eram abandonados, porque a deficiência era um sinal de que os deuses os tinham amaldiçoado. Como noutras civilizações, os filhos eram educados pela mãe e, logo que podiam, começavam a ajudar nos trabalhos agrícolas e na oficina. Os filhos de famílias ricas frequentavam o palácio e o templo e aprendiam a ler, escrever e contar, para, mais tarde, serem juízes, arquitectos ou escribas.

Perguntei ao Nemias se os egípcios só se dedicavam à agricultura. Ele disse que a maior parte vivia da agricultura, mas alguns dedicavam-se ao comércio nas margens do rio Nilo e outros partiam para a guerra para conquistar novas terras.

Estava nesta conversa interessante com Nemias quando me lembrei de olhar para o relógio e exclamei:

— Que tarde! A minha família deve estar preocupada comigo, leva-me a casa, por favor.

— Claro que levo, agarra-te bem que vou acelerar!

Olhei para a terra, que estava a ficar para trás, com a certeza de que ia lá voltar, talvez noutra época…

publicado por escoladeescritores às 10:59

09
Fev 11

 

Publica­‑se hoje a segunda parte do texto da Maria Inês Leal Lopes, do 7.º B, narrando uma viagem imaginária ao Egipto do tempo dos Faraós. A conclusão fica guardada para a próxima entrada no blogue. Continuação de boa viagem.

 

De seguida, o Faraó foi-nos mostrar as obras que estava a fazer no seu país. Saímos do palácio e reparei que todos os egípcios, quando se cruzavam com ele, beijavam a terra, mostrando assim respeito e temor perante aquele que os comandava e de quem esperavam obter graças.

Reparei que o Faraó não aparecia em público de cabeça descoberta e mostrava sempre uma imagem de força, beleza e dignidade. Enquanto saíamos do palácio, Quéops disse que tinha poderes, e aí fiquei assustada! Disse ele que tem que defender e proteger os Egípcios, contra os perigos, como as invasões, a seca ou a fome, além de também preservar a ordem e a justiça. Enquanto ele ia falando, eu ficava cada vez mais deslumbrada com aquele mundo, um mundo de contos de fadas, que nunca pensara encontrar.

Uma das obras que fomos ver foi a construção de uma pirâmide. É uma visão difícil de descrever, trabalhavam naquela obra milhares de escravos que, com um esforço enorme, tentavam arrastar umas pedras enormes, a pesarem toneladas. O meu amigo Nemias disse-me, baixinho, que às vezes uma daquelas pedras escorrega e mata centenas de pessoas; fiquei assustada, mas enchi-me de coragem e perguntei ao Faraó o porquê daquilo tudo, do esforço de tanta gente e o porquê das formas triangulares da obra. Respondeu ele:

— Sabes, menina, isto que estás a ver vai ser o meu túmulo, junto à minha múmia vai ser colocado o meu mobiliário, as minhas roupas e os meus objectos preciosos. Estas escadarias de formas triangulares são para eu subir e atingir o céu, para me juntar ao meu pai, Rá, que é o Deus Sol. As arestas da pirâmide simbolizam os raios solares.

Foi aí que eu fiquei a saber que os egípcios acreditavam na vida além­‑túmulo. Eles, para evitar a destruição do corpo, o que significava a morte da alma, embalsamavam­‑no.

Depois de visitarmos várias obras em construção, fomos visitar o templo, o local sagrado: o templo não era um edifício qualquer, era a «casa» do Deus, era um local muito secreto, onde não devia entrar nenhum mal. Por isso, só o rei e os sacerdotes podiam rezar e fazer oferendas. Neste local, fiquei a saber que os egípcios eram um povo muito religioso e veneravam centenas de deuses, os quais acreditavam terem criado o mundo e governado o Egipto no início dos tempos.

Eles tinham uns rituais religiosos muito esquisitos, e os sacerdotes ofereciam diariamente comida e bebida à estátua do deus. Essa estátua nunca era vista pelo povo, ofereciam as suas coisas no exterior e esperavam obter as graças do deus e as suas atenções.

Ao chegar ao palácio, o Faraó despediu-se amavelmente de mim e do Nemias, porque ia ter uma reunião muito importante com os chefes militares, e nós aproveitamos para ir conhecer melhor esta terra cheia de magia e de lendas.

 

[continua]

publicado por escoladeescritores às 10:42

03
Fev 11

 

Ainda que este blogue não faça concessões à actualidade e aos temas considerados mais relevantes num dado momento, não deixa de ser curiosa esta coincidência: vamos dar início à publicação de um texto da Maria Inês Leal Lopes, do 7.º B, que narra uma viagem imaginária ao Egipto da época dos Faraós, e fazemo­‑lo hoje, quando os cidadãos egípcios estão na rua a lutar por direitos tão fundamentais como a liberdade. O texto da Maria Inês, elaborado a partir de uma proposta de Sandra Costa, professora de História da referida turma, adquire, por isso, uma acrescida relevância. Boa leitura.

 

Esta noite, sonhei que tinha viajado até à época do Faraó Quéops.

Sonhei que estava num jardim a passear e vi um tapete, muito bonito e exótico, estendido no chão; sentei-me nele e, quando dei conta, estava à minha frente um senhor baixinho com uma espécie de toalha a envolver a cabeça, com um bigode fininho, de tronco nu, com uma cara simpática, que disse:

– Olá menina! Chamo-me Nemias, bem-vinda a bordo! És então tu que queres conhecer o Egipto no tempo dos faraós?

– É impossível, não se pode viajar no tempo! – disse eu.

– Claro que se pode, o meu tapete é mágico.

Antes de eu conseguir responder, o tapete levantou voo e lá estávamos nós a voar pelo céu fora. A certa altura entrámos numa nuvem e… Milagre! Estávamos no antigo Egipto, no ano de 2550 a.C..

O Nemias era uma pessoa muito conhecida e importante desse tempo. Levou­‑me à presença do Faraó Quéops (mais tarde, fiquei a saber que era o segundo Faraó da IV dinastia egípcia. Entrámos no palácio, que tinha uma beleza inexplicável: salões amplos, muito bem decorados e pintados, jarrões magníficos com pinturas lindíssimas, tudo muito limpo e, claro, escravos, muitos escravos espalhados por todo o palácio.

Depois de passarmos por vários guerreiros, chegámos à presença do Faraó Quéops. Este era uma pessoa muito acessível e muito simpática, apesar do seu estatuto.  

Foi-me apresentado o Faraó, e, como ele devia ter visto a minha cara assustada, falou muito comigo, fomos visitar o seu palácio e conversamos muito sobre os seus planos, as suas ideias e o seu reino.

Como ele se apercebeu de que eu não sabia muito bem que autoridade estava na minha frente, explicou­‑me rapidamente o que era naquele tempo um Faraó; disse que era o título atribuído aos reis (com estatuto de deuses) e que ele reinava como chefe único de todo o Egipto: é rei e deus ao mesmo tempo, ou seja, é guia e protege o seu povo, é chefe religioso, militar e político.

Todos os egípcios vêem o Faraó como filho de Rá, deus do Sol. Foi ele o escolhido pela divindade para reinar na Terra.

 

[continua]

publicado por escoladeescritores às 12:40

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