Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

27
Out 10

 

A cantiga de hoje é uma bailia, ou seja, uma composição em que a donzela incita as amigas a irem a um baile, onde poderão encontrar os seus amigos (o que, na linguagem da época, significava namorados). Esta recriação da poesia medieval é assinada pela Marisa Nogueira, do 10.º D.

 

Vamos bailar velidas

Ant’os nossos amigos

        Vamos, moças bonitas!

 

Velidas bailar vamos

Ant’os nossos amados

        Vamos, moças bonitas!

 

Ant’os nossos amigos

Frente aos altares queridos

        Vamos, moças bonitas!

 

Ant’os nossos amados

Frente aos altares sagrados

        Vamos, moças bonitas!

publicado por escoladeescritores às 10:59

26
Out 10

 

Publicamos hoje a primeira cantiga de amigo redigida por uma aluna de Literatura Portuguesa. A autora desta composição, em que uma donzela se alegra pelo regresso do seu amigo, é a Cristina Barroso, do 10.º D.

 

Hũa ave bem cedinho

Novas trouxe do meu amigo

        Grand’ amor meu!

 

Hũa ave pel’ alvorada

Novas trouxe do meu amado

        Grand’ amor meu!

 

Novas trouxe do meu amigo

Lá de perte do mar de Vigo

        Grand’ amor meu!

 

Novas trouxe do meu amado

Lá de perte do mar levado

        Grand’ amor meu!

 

Lá de perte do mar de Vigo

Por Deus, ele vem vivo

        Grand’ amor meu!

 

Lá de perte do mar levado

Por Deus, ele vem sano

        Grand’ amor meu!

publicado por escoladeescritores às 09:10

20
Out 10

 

Retomamos hoje a série de entradas dedicada à poesia medieval, agora com a publicação de cantigas de amigo elaboradas pelas alunas de Literatura Portuguesa do 10.º D. Para iniciar, aqui apresentamos uma célebre composição original, da autoria de Martim Codax (provavelmente um jogral galego que terá vivido no século XIII), incluída no Cancioneiro da Vaticana com o número 884 e no Cancioneiro da Biblioteca Nacional com o 1227. Nesta cantiga, como em todas ditas «de amigo», quem fala é uma donzela, que aqui se queixa ao mar da ausência do seu amado.

 

Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo!

            E ai Deus, se verrá cedo!

 

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado!

            E ai Deus, se verrá cedo!

 

Se vistes meu amigo,

o por que eu sospiro!

            E ai Deus, se verrá cedo!

 

Se vistes meu amado,

por que ei gran cuidado!

            E ai Deus, se verrá cedo!

publicado por escoladeescritores às 11:36

19
Out 10

 

 

O texto de hoje é da autoria da Marta Pinto, aluna do 11.º C, que redigiu um parágrafo para ser inserido no capítulo II de Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro. As partes da responsabilidade do autor renascentista estão a negrito.  

 

...onde só Deus me é boa testemunha de como as noutes dormia.

Estava eu à janela vendo as aves felizes quando fui novamente invadida polas lembranças tristes do meu passado. Queria eu mudar o fado para poder sorrir só mais uma vez, mas parece-me a mim impossível. As únicas cousas que veem à minha cabeça son as minhas desaventuras, cousas polas quais non encontro paz em mim. Tudo está mudado, menos as lágrimas do meu rosto.

Assi passava eu o tempo, quand, ũa das passadas, pouco haveria, alevantando-me eu, vi a menhã como se erguia fermosa, estender-se graciosamente por entre os vales…

publicado por escoladeescritores às 19:16

14
Out 10

 

Publicamos hoje o terceiro texto escrito por uma aluna de Literatura Portuguesa sobre a novela Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro, que se integra entre dois parágrafos (assinalados a negrito) da obra do autor renascentista. A contribuição de hoje é assinada pela Elisabete Silva, do 11.º C.

 

...onde só Deus me é boa testemunha de como as noutes dormia.

Foi ũa das passadas, leda, escura e tamalavez aceita, por onde me alevantei e segui pelos deleitosos vales. Não olhei nada, até que, a meu cabo, trémula e feroz, uma pobre raposa seguia. Mas tinha mais que temer, pois, atrás dela vinha, uma alcateia esfomeada. Mas que ventura! Desatei a correr. Ao apousentar meu pé no chão, a um rio não olhei nada. Fui cair nas águas do Rio Jordão. Sem ninguém para me socorrer, e como nem sabia nadar, deixei-me afogar. E foi aí que já não sentia mais nojos.  

Era esta a parte em que devera fechar meus olhos. Mas não, não fechei. Não fechei porque neles se reflectiu uma sombra, um pálido rosto me olhou e encantou. Parecia ainda não ter saído da água, mas realmente saí. Tinha apenas os olhos com lágrimas, com um brilho cristalino, era um azul-turquesa lindo, não conhecia tal lugar de onde ele tenha vindo. Me moveo alteração. Reparei ainda na floresta e nos vales. Já não eram os mesmos. Eram ainda mais lindos que um lugar tranquilo. Tudo se tinha transformado.

O rapaz pegou-me na mão. Era alto e com fermosura, e , com aquele encanto, virou uma paixão sem cura. E eu que tantas vezes pensara que dos homens vinham os desgostos… Nele vi os melhores confortos! Pegou num barco talhado em ouro, desamarrou os meus sapatos e, com a sua voz de galante, chamou os patos. Vinham em grande número na minha direcção.

De mais não me recordo. Só da paisagem reflectida no meu abrir de olhos. Era um campo cheio de flores bem perto de minha casa. Não sei se foi sonho, não sei se foi nostalgia mas, de uma coisa tenho certeza, na palma das minhas mãos, um diamante azul-turquesa.

Assi passava eu o tempo, quand, ũa das passadas, pouco haveria, alevantando-me eu, vi a menhã como se erguia fermosa, estender-se graciosamente por entre os vales…

publicado por escoladeescritores às 13:02

07
Out 10

 

O Prémio Nobel de Literatura de 2010 foi atribuído ao escritor peruano Mario Vargas Llosa, um dos autores mais célebres do continente sul­‑americano. Em Portugal, está quase toda a sua obra publicada, com destaque para títulos como A Casa Verde (1966), Conversa na Catedral (1969), A Tia Júlia e o Escrevedor (1977), Lituma nos Andes (1993) ou A Festa do Chibo (2000). Além de autor de ficção, teatro e ensaio, Vargas Llosa também se destacou pela participação cívica e política no seu país, tendo sido candidato derrotado à presidência do Peru em 1990.

publicado por escoladeescritores às 12:26

01
Out 10

 

Continuamos hoje a publicar os trabalhos produzidos no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa sobre a novela Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro. O texto abaixo apresentado foi escrito pela Rosária Rocha, do 11.º C, e integra­‑se na perfeição entre dois parágrafos (assinalados a negrito) do capítulo II da obra renascentista, prolongando­‑a assim de modo harmonioso.

 

…e dizia eu que seria aquilo por se apartar mais asinha daquele penedo, imigo de seu curso natural que, como por força, ali estava.

O som da ágoa anojada por aquele penedo me lembrou o som da voz da pessoa que levou um pedaço de mim per um lugar distante. Sentei-me então no chão e ali fiquei, observando o movimento e escutando a sonoridade que me trazia as poucas lembranças boas de minha vida tão fatigada. Por momentos andei fugida da soidade que viera buscar, perdida em minhas recordações que agora são apenas parte do passado.

Não tardou muito que, estando eu assim cuidando, sobre um verde ramo que por cima da ágoa se estendia se veo apousentar um roussinol…

publicado por escoladeescritores às 10:36

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