Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

23
Abr 09

Concluímos hoje a publicação das cartas dirigidas a Padre António Vieira com a apresentação da segunda parte do texto redigido pela aluna Maria João Alves, do 11.º A, ficcionalmente assinada pelo jornalista João Leal Alves.

 

Como consequência de ter gostado do seu sermão, fiz uma pesquisa e constatei que Vossa Excelência contactou de muito perto com os indígenas, o que torna os seus sermões numa obra muito realista sobre a questão da escravatura, pelo que admiro muito a determinação que teve no combate a este problema aviltante, apesar da oposição que enfrentou por parte de reis; refiro-me especificamente a Sua Majestade El-Rei D. Afonso VI, que o desterrou para o Porto e para Coimbra.

Fiquei verdadeiramente surpreendido com o seu percurso em defesa dos direitos, tanto dos indígenas, em matéria de escravatura, como dos judeus, comunidade perseguida pelo Tribunal do Santo Oficio e pela sociedade.

O valor de V.ª Ex.ª é internacionalmente reconhecido, a prová-lo os serviços que prestou a Sua Majestade, a Rainha Cristina da Suécia, durante a sua estada em Roma.

Não termino sem antes me apresentar. O meu nome é João Leal Alves e a minha profissão baseia-se em relatar notícias. Sou responsável pela secção Celebritas, do periódico Gazeta Lisbonense, secção que trata da apresentação de cidadãos ilustres, reconhecidos pelo seu talento, a nível das letras, artes e ciências exactas, pelo que me parece ideal obter uma entrevista sua, a publicar na edição LXII. Venho, deste modo, solicitar a Vossa Excelência uma entrevista para que seja possível divulgar a mensagem contida no celebérrimo Sermão de Santo António aos Peixes. Sugeria que fosse uma entrevista escrita, que poderia ser feita por correspondência.

Atenciosamente, despeço-me com os melhores cumprimentos,

 

João Leal Alves

 

publicado por escoladeescritores às 10:06

16
Abr 09

Publicamos hoje a primeira parte de uma carta da autoria da aluna Maria João Alves, do 11.º A, ficcionalmente assinada pelo jornalista João Leal Alves.

 

Lisboa, 20 de Fevereiro de 1697

 

Excelentíssimo Padre António Vieira,

 

Há alguns anos, aquando das festividades de Natal, recebi um exemplar do seu mais recente texto, denominado Sermão de Santo António aos Peixes.

Fiquei assombrado com o problema da escravidão dos índios praticada pelos colonos portugueses no Brasil. Ao ler o seu sermão, fiquei momentaneamente aliviado ao saber que existia alguém que se opunha a este acto medonho.

Achei inteligente a comparação dos colonos a peixes, que, tendo em conta as suas qualidades de ouvintes, são de facto um melhor auditório que os colonos. Acrescentadas ainda as particularidades morais dos peixes, estes representam um modelo a seguir pelos colonos. Estes atributos podem ser divididos entre os que foram dados por Deus e os naturais dos peixes. Nos primeiros, incluem-se não só o facto de terem sido as primeiras criaturas geradas por Deus e nomeadas pelos homens, como também a obediência com que escutaram Santo António a pregar. Nas virtudes naturais dos peixes, destaque­‑se que não foram domados nem domesticados, além de que foram os únicos animais que se salvaram do dilúvio por não terem pecado.

Gostei da alegoria presente em todo o sermão, porque os peixes são metáfora dos homens, isto é, as suas virtudes correspondem a comportamentos desejáveis nos homens e os seus vícios são a metáfora dos vícios humanos. O pregador fala aos peixes, mas quem ouve são os homens.

Considero muito interessante a divisão dos peixes nas seguintes categorias: os Voadores, que têm a capacidade de nadar e voar, são gananciosos, egocêntricos, presunçosos e ambiciosos; os Roncadores, que são soberbos e orgulhosos, arrogantes e pouco firmes, apesar de se conseguirem impor, mas são pequenos e facilmente são pescados; o Polvo, que é traidor e ataca sempre de forma traiçoeira; a Baleia, que se destaca pela sua grande dimensão e pela sua arrogância; o Tubarão, que representa a gula; e, finalmente, os Pregadores, seres parasitas e dependentes dos outros.

Penso que o capítulo VI apresenta um desfecho forte, capaz de levar o auditório a pôr em prática os ensinamentos do pregador. Foi, deste modo, o capítulo que mais me impressionou, pois é feita uma comparação muito dura, segundo a qual o homem não consegue servir a Deus e os peixes conseguem.

 

publicado por escoladeescritores às 13:00

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