Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

26
Mar 09

Eis a segunda e última parte da carta que Miguel Lopes, do 11.º A, escreveu ao Padre António Vieira no final do ano transacto.

 

Tomámos a escravatura como sendo uma prática social em que um ser humano exerce direitos de propriedade sobre outro ser humano, o designado escravo. Teoricamente, o escravo pode ser vendido, ou trocado, isto é, o escravo é tratado como se se tratasse de um qualquer tipo de mercadoria.

Actualmente, pelo menos nos países minimamente desenvolvidos, a escravatura está praticamente abolida e, por isso, raramente nos deparamos com casos desta natureza. Para isso, foi preponderante a actuação de Vossa Excelência no que toca à sensibilização e à moderação das mentalidades do século XVIII.

Digo que foi algo preponderante, porque, caso não houvesse a atitude, coragem, inteligência e destreza de Vossa Excelência, talvez ainda hoje fôssemos de certa forma uns seres pouco civilizados.

Saliento também que as acções de Vossa Excelência se perpetuam até à actualidade, sendo, ainda hoje, um misto de ensinamento e exemplo para qualquer pessoa.

Sem me querer alongar, compete-me agora dizer que Vossa Excelência é um marco da história luso-brasileira, um exemplo a seguir e que nunca deverá ser esquecido.

Resta-me desejar umas boas entradas no ano que se avizinha e deixar votos de felicidade.

 

publicado por escoladeescritores às 12:58

25
Mar 09

 

Nas próximas entradas, publicaremos algumas cartas dirigidas ao Padre António Vieira, assinadas por alunos do 11.º A da nossa escola. Abrimos hoje com a primeira parte do texto que o Miguel Lopes redigiu.

 

Excelentíssimo Padre António Vieira

 

Antes mesmo da minha apresentação, não posso deixar de expressar o prazer que sinto em escrever esta carta a uma personalidade que tanto admiro.

Sou Miguel Lopes, da turma A do 11.º ano da Escola Secundária de Vilela, local em que pela primeira vez contactei com a vida e obra de Vossa Excelência. Não consigo, aliás, esconder a satisfação em que me encontro, tendo em conta que Vossa Excelência foi uma das personalidades mais marcantes do século XVII.

Como leitor do século XXI das obras de Vossa Excelência, tenho de, em primeiro lugar, agradecer o enorme legado que nos deixou, o qual continua a ser um grande auxiliar no estudo da Língua Portuguesa.

A respeito de Vossa Excelência, o que mais me apraz – se é que tenho direito de o dizer – é o facto de não ter sido um padre comum e vulgar, de não ter sido um mero explorador interesseiro e de ser ter oposto aos que, a meu ver, agiam incorrectamente.

Devo também frisar que, mesmo sendo ateu, me sinto fascinado pelo trabalho de Vossa Excelência, e a inteligência que empregou na elaboração de cada um dos seus sermões foi algo notável, tornando-os extraordinariamente correctos e capazes de ensinar e corrigir algo, mesmo nas mentalidades dos mais relutantes e teimosos.

Apesar de tudo, aquilo que mais me satisfaz é saber aquilo que fez pelos escravos, judeus e cristãos-novos, enfrentando por isso vários problemas, incluindo a Inquisição, que a meu ver mais não era que um grupo de oportunistas. Eu próprio penso que faria o mesmo, se não me faltasse a coragem, e se tivesse as faculdades suficientes, algo que Vossa Excelência tinha e isso ninguém pode negar.

 

[Continua]

 

publicado por escoladeescritores às 18:52

19
Mar 09

No âmbito do Dia Mundial da Poesia (21 de Março), do Dia Mundial do Livro (23 de Abril) e do Ano Europeu da Criatividade e Inovação, a Direcção­‑Geral do Livro e das Bibliotecas convida o jovem público leitor a participar num torneio poético de evocação de António Botto, por ocasião da passagem de cinquenta anos sobre a morte do poeta, e de Jorge de Sena (em cima, na fotografia), no nonagésimo aniversário do seu nascimento. Podem concorrer todos os alunos do 3.º ciclo do ensino básico (categoria A) e do ensino secundário (categoria B). Para participarem, deverão glosar e desenvolver, em verso ou em prosa de ficção, qualquer uma das estrofes seleccionadas dos dois poetas. Os trabalhos, que não deverão ultrapassar duas páginas A4, terão de ser entregues até ao dia 15 de Maio na Biblioteca Municipal do concelho de residência ou na Biblioteca Escolar do estabelecimento de ensino frequentado. As estrofes em questão, bem como outras informações obre este torneio poético, podem ser encontradas aqui.

 

publicado por escoladeescritores às 12:56

12
Mar 09

Conclui­‑se hoje, a com a publicação da terceira parte, a apresentação da autobiografia apócrifa do Padre António Vieira, da responsabilidade da Ana Nunes, do 11.º E. Boa leitura.

 

A missão da minha vida (terceira e última parte)

 

               E eis que chega assim o período mais difícil da minha vida, entre 1664 e 1665, durante o qual fui acusado de Judaísmo pela Inquisição, processado e preso. A pena foi cumprida na prisão do Tribunal do Santo Ofício, em Coimbra, onde passei mais ou menos três anos. Só passados esses três anos, em 1668, é que fui libertado pelo rei D. Pedro II, sucessor de D. Afonso VI. Nesse ano regressei a Lisboa e dediquei-me, outra vez, à pregação, sempre com mais esforço e sucesso. Foi em 1669 que viajei para Roma, onde me tornei célebre como pregador ao serviço da Rainha da Suécia, Cristina Alexandra, residente naquela esplêndida cidade. Durante este ano, e alguns que seguiram, travei uma dura luta com a Inquisição Portuguesa, sempre com esperança de arranjar apoio de alguns católicos.

               Finalmente, com muito meu agrado, consegui uma declaração que me protegia da perseguição inquisitorial e regressei assim a Portugal, em 1675. O meu primeiro volume dos Sermões Completos foi editado em 1679, o que me deixou radiante, pois pude ver o meu trabalho exposto para todos. Mas, para meu grande desgosto, em Portugal vivia-se um ambiente de grande intolerância, sendo assim preciso tomar uma decisão. E foi o que fiz. Parti para a Baía em 1681. Mesmo com tudo o que se passava em meu redor, nunca deixei os meus sermões de lado, sendo esta a tarefa de que me ocupei até morrer.

               Em 1688, com a maior das felicidades, e confesso que com alguma surpresa, fui nomeado visitador da Província do Brasil, cargo através do qual promovi a criação de missões entre os Índios. Entreguei, em 1697, tudo o que escrevi, para publicação do duodécimo volume dos meus sermões, onde se encontra toda uma vida, dedicada aos dois ideais pelos quais lutei e sofri: a tolerância religiosa em relação aos judeus e a liberdade dos índios.

               Morri, a 18 de Julho de 1697, no colégio da Baía, com noventa e um anos, e com orgulho digo que vivi uma vida difícil, com maus bocados, mas feliz, pois tudo valeu a pena, já que defendi sempre aquilo em que acreditava, lutando contra tudo e contra todos, e alcancei, assim, o meu objectivo.

 

publicado por escoladeescritores às 12:42

10
Mar 09

Damos hoje entrada à segunda parte da autobiografia fictícia de Vieira que Ana Nunes, do 11.º E, redigiu.

 

A missão da minha vida (segunda parte)

 

Em 1635, fui ordenado Sacerdote, distinguindo-me pelas qualidades de pregador, já que, desde o início, falava, nos meus sermões, de grandes questões da actualidade, tentando alertar os ouvintes.

            Foi em 1640, na Baía, que preguei o Sermão contra as Armas da Holanda, que se tornou célebre. No ano seguinte, embarquei para Portugal, na altura em que D. João IV acabara de ser aclamado rei. Neste país, a minha fama de orador sagrado expandiu­‑se rapidamente, principalmente na corte.

            O período de tempo entre 1641 e 1652, foi repleto de acções e polémicas: ganhei a confiança do rei D. João IV, que me incumbiu de missões diplomáticas de grande importância em Paris, Haia e Roma, e defendi a causa dos cristãos­‑novos, num confronto entre a Inquisição e a Companhia de Jesus. Foi ainda nesta altura que comecei a redigir a História do Futuro, obra de carácter profético.

            Parti para o Brasil, no ano de 1652, mais precisamente para S. Luís do Maranhão, juntamente com outros missionários. Distingui-me pela defesa da liberdade dos índios e, nessa altura, preguei alguns dos meus melhores sermões, como o que preguei em S. Luís de Maranhão, a 13 de Junho de 1654, o Sermão de Santo António aos Peixes. Neste sermão, ataquei e critiquei todos os colonos que escravizavam os índios, daí eles não gostarem de mim. Um ano mais tarde, em 1655, parti clandestinamente para Portugal, fugindo dos colonos que me perseguiam. Na Capela Real, lembro-me como se fosse ontem, preguei vários sermões, entre eles o Sermão da Sexagésima, que era nada mais, nada menos, do que uma crítica aos sermões da época. Foi ainda neste mesmo ano que regressei ao Brasil, continuando, como fiz toda a vida, a lutar pela liberdade dos índios. Esta minha luta fez com que fosse expulso do Maranhão, e voltei a Lisboa, sendo que D. Afonso VI não entendeu as razões que me guiavam, desterrando­‑me para o Porto e, mais tarde, para Coimbra.

 

[Continua]

 

publicado por escoladeescritores às 13:56

05
Mar 09

 

Damos hoje início à publicação da autobiografia fictícia do Padre António Vieira que a Ana Nunes, do 11.º E, compôs. Continua nos próximos dias.

 

A missão da minha vida (primeira parte)

 

               O meu nome é António Vieira, nasci a 6 de Fevereiro de 1608, em Lisboa, e a minha vida percorre todo o século XVII. Sou um homem modesto, como meus pais, Cristóvão Ravasco e Maria de Azevedo.

               Por volta do ano de 1615, parti com a minha família para a Baía, capital do Brasil, tinha eu ainda seis anos. Quando alcancei a idade própria dos estudos, iniciei a minha instrução literária, no colégio dos Jesuítas.

               Eu e os meus pais morávamos numa casa do arrabalde ao sul e, por isso, quando ia para o pátio dos estudos, atravessava o povoado e ficava um momento parado a ver os negros descarregarem os fardos do elevador, através do qual se transferiam os pesos grandes do bairro da praia para a cidade alta.

               Em 1623, ingressei no noviciado da Companhia de Jesus, que teria a duração de dois anos. Estes foram duros para todos os que frequentavam a Companhia. Para mim, foi um período de extraordinária tensão moral e penoso esforço físico. Tínhamos todos os nossos momentos ocupados, do romper do sol até à hora de adormecer. Nenhuma actividade era dedicada à recordação dos pais ou amigos. Nada mais fazíamos além de praticar a técnica de pregação, da catequese e da escola. Diariamente, realizávamos exercícios de memória e de declamação, tínhamos instrução sobre o modo de nos comportarmos: o nosso andar, riso, voz, posição das mãos, direcção dos olhos, etc. Mas a nossa obrigação era mesmo essa: aprender.

               Em finais de 1626, ou no início de 1627, deixei esta terra, onde fizera os meus primeiros estudos, e parti para o colégio da Olinda, onde regi a cadeira de Retórica. Foi também nesta altura que fiquei encarregue da posição da Carta Annua dirigida ao Geral dos Jesuítas, emitida a 30 de Setembro de 1626.

               Aos dezoito anos, já sonhava com uma vida de missionário, consequência do trato frequente com os Índios. Era esta a razão pela qual não queria prosseguir os estudos, mas sim entrar imediatamente no trabalho das missões. No entanto, isso não foi permitido, tendo sido enviado, assim, de volta à sede da província, e aí iniciei o estudo da Filosofia.

 

[Continua]

 

publicado por escoladeescritores às 13:07

03
Mar 09

Hoje publicamos a segunda e última parte da autobiografia fictícia do Padre António Vieira, cuja efectiva autoria pertence à Paula Ribeiro, do 11.º E. Nos próximos dias, haverá mais textos sobre esta figura tutelar da prosa em língua portuguesa.

 

O meu nome é… António Vieira (segunda e última parte)

 

Em 1655, preguei, na Capela Real, vários sermões, entre o «Sermão da Sexagésima», uma crítica dura aos sermões da época, e voltei para o Brasil, continuando a minha luta pela defesa da liberdade dos índios.

Seis anos mais tarde fui expulso do Maranhão, fui perseguido pelos colonos portugueses, descontentes com a minha protecção à causa da liberdade dos índios, pelo que regressei a Lisboa.

No ano seguinte, D. Afonso VI não atendeu às minhas razões e desterrou­‑me no Porto e, depois, em Coimbra.

Em 1664-1665, fui acusado de judaísmo pela Inquisição, fui processado e preso. Cumpri a pena na prisão do Tribunal do Santo Ofício em Coimbra.

Fui amnistiado e libertado pelo rei D. Pedro II, que sucedeu a D. Afonso VI, em 1668. Regressei a Lisboa e dediquei-me, de novo, à pregação, com redobrado sucesso.

Em 1669, viajei para Roma, onde me celebrizei como pregador ao serviço da Rainha da Suécia, Cristina Alexandra, que residia nessa cidade. Travei, ainda, uma dura luta contra os desmandos da Inquisição portuguesa, tentando o apoio dos católicos mais esclarecidos.

No ano de 1675, regressei a Portugal com uma declaração pontifica que me protegia da perseguição inquisitorial.

Quatro anos mais tarde é editado o primeiro volume dos sermões completos.

Em 1681, embarquei para a Baía, desgostoso com o ambiente de tolerância que se vivia em Portugal. A edição dos meus sermões continuou, tarefa que me ocupou os anos seguintes.

Em 1688, fui nomeado Visitador da Província do Brasil, onde promovi a criação de missões entre os índios.

Aos 91 anos, entreguei para publicação o duodécimo volume dos meus sermões e, com esta mesma idade, faleci no colégio da Baía, mais precisamente a 18 de Julho.

 

publicado por escoladeescritores às 09:40

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