Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

18
Dez 08

De acordo com o que anunciámos na última entrada, editamos hoje a reflexão crítica inspirada na problemática da fragmentação da identidade do sujeito poético, patente na obra de Pessoa ortónimo. Este texto foi redigido, no âmbito da disciplina de Português do 12.º ano, por uma aluna que adoptou o pseudónimo Matilde Júnior d’Andrade.

 

Quem sou eu?

 

«Quem sou eu» é uma questão não só utilizada como base para o poema «Não sei quantas almas tenho», de Fernando Pessoa ortónimo, mas penso que por todos nós de uma forma geral. É a origem das nossas reflexões pessoais, das nossas decisões, dos nossos objectivos, uma vez que é ora na pergunta, ora na resposta a essa mesma pergunta, que nos baseamos para viver minuto a minuto, dia­‑a­‑dia…

Eu sou um ser como todos os outros, com características certamente distintas, com um percurso claramente original, com objectivos obviamente únicos. Uma pessoa objectiva, ambiciosa, humilde, meiga, mas muito teimosa e frontal. Alguém que vive e luta por concretizar desde os mais pequeníssimos desejos até aos mais ambiciosos objectivos. Até hoje vivi momentos que me marcaram e de certo modo me guiaram no percurso de construção da minha personalidade. Não interpreto várias personalidades, não visto várias faces, não sinto a minha alma fragmentada, nem sequer despersonalizada… Tenho um passado que me define, um presente que me guia e um futuro aliciante pela frente.

Todos estes momentos fazem hoje sentir-me alguém com uma personalidade talvez ainda por definir, já que acredito que esta se começa a definir desde o primeiro minuto da nossa vida e apenas se conclui no último da mesma. Alguém com uma longa viagem pela frente, cheia de subidas e descidas, labirintos e encruzilhadas, mas sempre com um guia do seu lado. Alguém que gosta de viver e de ver viver e, portanto, alguém que nunca deixará de lutar pela sua própria felicidade e pela dos outros.

 

publicado por escoladeescritores às 13:15

11
Dez 08

 

Publicamos hoje um poema de Fernando Pessoa, que dá voz a uma série de inquietações acerca da fragmentação da identidade do sujeito poético. Este poema será objecto de uma reflexão crítica sobre o mesmo tema, a editar no blogue na próxima entrada.

 

Não sei quantas almas tenho

 

Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem  alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,

 

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

 

Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo: «Fui  eu?»

Deus sabe, porque o escreveu.

 

publicado por escoladeescritores às 13:02

04
Dez 08

 

Muitos alunos da nossa escola assistiram, em dias diferentes do passado mês de Novembro, ao espectáculo O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, no Teatro Nacional São João, no Porto. Podem agora reencontrar as personagens em livro, porque a tradução de Daniel Jonas, que serviu de base à encenação de Ricardo Pais, acaba de ser publicada pela Cotovia. Para os interessados em teatro (e não só), eis uma excelente sugestão de prenda a incluir no saco do Pai Natal.

Quanto ao espectáculo, voltaremos a falar dele no nosso blogue, a propósito de alguns textos elaborados por alunos, que aqui editaremos.

 

publicado por escoladeescritores às 12:59

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