Bem-vindos. Neste blogue, têm lugar textos da autoria de membros da comunidade educativa da Escola Secundária de Vilela e apontamentos diversos sobre livros e literatura.

08
Fev 12

 

Na sequência da entrada anterior, hoje publicamos o primeiro diálogo alternativo de Amor de Perdição, construído pela Joana Freire, do 11.º C, que imaginou um desenlace diferente do que foi proposto por Camilo Castelo Branco para o único encontro entre Teresa e Mariana, rivais no amor que sentiam por Simão Botelho. A primeira frase é do romancista, todas as outras resultaram da verve criativa da Joana Freire. Boa leitura.

 

A voz de Mariana tremia, quando D. Teresa lhe perguntou quem era.

– Sou Mariana, e trago-lhe um recado de Simão Botelho.

– Simão? Um recado? – interrogou Teresa.

– Sim, minha senhora, um recado que penso que não lhe vai agradar.

– Ai, meu Deus! O que é? Diga lá, que eu morro por saber novas daquele homem.

Mariana respirou fundo, como que a ganhar coragem para dar as supostas más notícias a Teresa.

– Muito bem. Eu sou a criada de Simão e este pediu-me que viesse até aqui para lhe dizer que… – Mariana suspirou de novo, fez uma pausa e retomou o discurso com firmeza – … que siga com o seu caminho e ele seguirá com o dele. Ele já não gosta mais de si. Este amor é impossível e de nada vos vale este sentimento que só mal vos trouxe. E foi isto que me trouxe cá. Esqueça Simão, o sofrimento chegou ao fim…

A fidalga ouvia o que dizia Mariana e não queria acreditar. Chorando compulsivamente, disse:

– Impossível! Não acredito em nada. Porque haveria de acreditar em si? E, mesmo que fosse verdade, eu não quero nem posso esquecer este amor. Esta ferida é incurável. Não é verdade, pois não? Diga a verdade.

Mariana comoveu-se e arrependeu-se do que tinha feito. O amor daqueles dois era indestrutível e nem o seu desespero desmedido podia fazer cessar um amor como aquele. Soluçando desesperadamente, Mariana disse:

– Desculpe! Desculpe, minha senhora! O amor que sinto por Simão possuiu-me. Não sei o que passou pela minha cabeça. Perdão! Tudo o que disse é mentira… Simão ama­‑a e não me mandou vir aqui dizer tudo isto…. Ele nunca a poderá esquecer. Ai, como eu gostava que ele me amasse assim! Peço-lhe mil perdões, a minha ousadia excedeu-se. Simão mandou-me aqui para lhe entregar esta carta cheia de juras de amor, que eu própria o vi a escrever!

Mariana tirou da algibeira um envelope e entregou-o a Teresa, que ainda estava com as lágrimas nos olhos e sem reação.

– Perdão, minha senhora!

Mariana levantou-se para se ir embora, Teresa agarrou-a pela mão, fazendo um gesto para lhe indicar que ficasse, e disse:

– Estás perdoada. Esta loucura foi fruto do amor, desse sentimento tão cruel. Esquece tudo que eu esquecerei também.

Mariana, de olhos postos no chão, levantou-se e saiu a correr, chorando compulsivamente. 

publicado por escoladeescritores às 09:12

01
Fev 12

 

No romance Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, publicado originalmente em 1862, o par de apaixonados é constituído por Teresa e Simão, mas há outra personagem feminina, Mariana, que permite completar o triângulo amoroso, porque ama secretamente Simão. Ninguém, senão ela, conhece essa paixão. Assim, no capítulo X, o único diálogo entre as duas mulheres constante no romance deve ser lido tendo em conta que elas são rivais no amor, mas só uma – Teresa – sabe disso. Para além desse «picante», é importante referir ainda que Mariana foi falar com a rival para lhe entregar uma carta de Simão.

No âmbito do estudo de Amor de Perdição na disciplina de Literatura Portuguesa, foi pedido aos alunos que escrevessem um diálogo alternativo entre Teresa e Simão, a partir da mesma frase de abertura. Publicamos hoje o texto camiliano, para, nas próximas semanas, serem editadas algumas das variações construídas em aula.

 

A voz de Mariana tremia, quando D. Teresa lhe perguntou quem era.

– Sou uma portadora desta carta para Vossa Excelência.

– É de Simão! – exclamou Teresa.

– Sim, minha senhora.

A reclusa leu convulsiva a carta duas vezes, e disse:

– Eu não posso escrever-lhe, que me roubaram o meu tinteiro, e ninguém me empresta um. Diga-lhe que vou de madrugada para o Convento de Monchique do Porto. Que se não aflija, porque eu sou sempre a mesma. Que não venha cá, porque isso seria inútil, e muito perigoso. Que vá ver-me ao Porto, que eu hei-de arranjar modo de lhe falar. Diga-lhe isto, sim?

– Sim, minha senhora.

– Não se esqueça, não? Vir cá, por modo nenhum. É impossível fugir, e vou muito acompanhada. Vai o meu primo Baltasar e as minhas primas, e meu pai, e não sei quantos criados de bagagem e das liteiras. Tirar-me no caminho é uma loucura com resultados funestos. Diga-lhe tudo, sim?

Joaquina disse fora da porta:

– Menina, olhe que a prioresa anda lá por dentro a procurá-la.

– Adeus, adeus – disse Teresa, sobressaltada. – Tome lá esta lembrança como prova de minha gratidão.

E tirou do dedo um anel de ouro, que ofereceu a Mariana.

– Não aceito, minha senhora.

– Porque não aceita?

– Porque não fiz algum favor a Vossa Excelência. A receber alguma paga há-de ser de quem me cá mandou. Fique com Deus, minha senhora, e oxalá seja feliz.

publicado por escoladeescritores às 12:25

25
Jan 12

 

Para concluirmos esta série temática, inserimos hoje o contributo da Flávia Gonçalves, do 7.º D, sobre o ato de escrita.

 

Para mim, escrever é expressar os meus sentimentos no papel. Tudo aquilo de que gosto, o que leio, penso, tudo isto sai para a folha quando escrevo. As ideias começam a chover sem mais nem menos. E depois de começar é difícil de parar.

publicado por escoladeescritores às 09:30

18
Jan 12

 

Publicamos hoje a contribuição do Diogo Gomes, do 7.º D, para a definição da importância da escrita.

 

Para mim, escrever é como sonhar, entrar num lugar que não existe. Escrever é uma imaginação que nunca para. É uma forma de eu explicar o que sinto e transmiti-lo por palavras. Também é uma forma de viver e, quando escrevo, fico melhor.

publicado por escoladeescritores às 09:41

12
Jan 12

 

Na continuação da série de textos que temos vindo a publicar, insere-se hoje o contributo do Rúben Seabra, do 7.º C, que refletiu sobre a escrita da forma que se segue.

 

Para mim, escrever é imaginar, descrever e sonhar as coisas, é exprimir os sentimentos através de palavras e expressões, é viajar num mundo sinistro, sem sair do sítio, é conhecer até onde vai o mundo da escrita, é o prazer de partilhar momentos com os outros…

publicado por escoladeescritores às 11:36

10
Jan 12

 

Publicamos hoje mais um texto sobre o significado da escrita, elaborado, desta vez, pelo Tiago Machado, do 7.º C.

 

Para mim, escrever é dar nome às coisas que existem à nossa volta, construir frases com cada vez mais palavras e poder descrever uma pessoa, uma casa ou outros objetos. Depois, com a construção dessas palavras, podemos criar músicas, prosa, poesia e, ao criar cada uma dessas coisas, estamos a viver um sonho.

publicado por escoladeescritores às 12:17

14
Dez 11

 

Continuamos a publicar os textos dos alunos do 7.º D, que refletiram sobre o significado do ato de escrever nas aulas de Língua Portuguesa. Hoje tem a palavra a Sara Santos.

 

Para mim escrever é quase viver. É sonhar, é uma forma de voar, porque escrever é uma das minhas paixões, que nem toda a gente tem nos corações. Escrever completa­‑me a alma quando estou triste… Ou, quando estou animada, escrevo para depositar energia no papel. Ajuda-me a libertar a raiva e o nervosismo… Ajuda-me a compreender melhor as coisas e a ter calma… Ajuda-me a dar tempo ao tempo.

Às vezes, escrevo uma palavra e ela conta-me algo inspirador para eu conseguir acabar o poema.

O que eu mais gosto de escrever é poesia, com rima, sem rima, não interessa…

Para mim escrever é isto tudo, e tudo mais…

publicado por escoladeescritores às 09:35

06
Dez 11

 

Na sequência do estudo do conto «O menino que escrevia versos», de Mia Couto, levado a cabo na aula de Língua Portuguesa, os alunos do 7.º D foram incitados a pensar sobre o significado do processo de escrita. No nosso blogue, começamos hoje a publicar alguns dos textos assim produzidos. A estreia cabe ao Carlos Marques:

 

Para mim, escrever é olhar o mundo sem fronteiras, levar a minha imaginação até ao impossível, ter uma visão das coisas totalmente diferente do mundo real. É imaginar que posso ter um lugar extremamente louco, o fantástico, e outro extremamente direitinho, o real. Assim, posso ser livre e voar.

publicado por escoladeescritores às 11:46

16
Nov 11

 

O poeta João Luís Barreto Guimarães, que esteve na nossa escola no ano lectivo transacto, a conversar com alunos do 11.º ano sobre a poesia em geral e a sua em particular, lançará no Porto, no Clube Literário, pelas 21h30, o seu livro Poesia Reunida, editado pela Quetzal, em que recolhe toda a sua produção literária compreendida entre 1987 e 2009. Da obra, que será apresentada por Vasco Graça Moura, serão lidos alguns poemas por Daniel Jonas. É uma sessão para a qual todos estão naturalmente convidados e a que este blogue se associa.

publicado por escoladeescritores às 09:40

09
Nov 11

 

O contributo de hoje para a divulgação do soneto como forma poética viva e actuante deve-se à Catarina Sousa, do 11.º D, autora do texto que a seguir reproduzimos. Esperemos que continuem a apreciar os sonetos modernos que vos temos oferecido ao longo das últimas semanas.

 

Não havia luz, não havia nada,

Só tinha medo de o usar ali;

Quando cheguei à conclusão assi,

Era o computador que não ligava.

 

Estava com medo, nervosa... passada;

Falei com a Adriana e a Bibi,

Elas gozaram comigo e eu sorri

Pela tal coisa que já não lembrava.

 

Peguei no carregador e liguei-o,

E logo assim a luz apareceu.

E será que é desta? – interroguei-o.

 

Ele ignorou-me e não me respondeu;

Fiz-lhe festinha, oh, incentivei-o,

Cliquei na tecla on, assim já deu.

publicado por escoladeescritores às 09:35

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